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Li, não me lembro mais onde, que depois dos cinqüenta anos fazemo-nos invisíveis; que nosso protagonismo na cena da vida declina; que nos tornamos inexistentes para um mundo em que só cabe o ímpeto dos jovens. Depois da leitura, não concordei com todo o texto, apenas parte dele e por isso o refiz, adaptando-o de acordo como vejo a vida com estes meus olhos de cinqüentão. É que em tempo algum fui tão consciente, como agora, de minha existência e de minha vida. Jamais me senti tão protagonista e nunca desfrutei tanto de cada momento dela. É que agora me reconheço um homem e um profissional maduro e estável. Finalmente sei quem sou e gosto de mim, com minhas misérias e grandezas. Descobri de que não preciso ser perfeito, que posso ter defeitos e fraquezas e até equivocar-me e de que não preciso, necessariamente, corresponder às expectativas de muitos e até de fazer coisas ‘indevidas’. E apesar disso, sentir-me bem. Quando me olho no espelho já não busco o que fui no passado e nem me pergunto “em que espelho ficou o meu rosto”, porque gosto do que vejo. Sorrio, então, ao que hoje sou. Alegro-me pelo já trilhado e assumo meus acertos e erros. Sei que sou querido por muitos, jovens ou não. São pessoas que me respeitam e que me querem pelo que sou… assim um pouco louco, mandão e às vezes mal humorado, também afável, sensível e atencioso. Às vezes triste, porque tenho também momentos de tristeza. São momentos em que ponho meus olhos para chorar. E fico bem.
Que boa a sabedoria da paciência trazida pela maturidade. É maravilhoso não sentir mais a angústia da corrida pelas coisas, quase todas sem importância. Aprendi que, se não posso reter o mar, posso usufruí-lo. Pena que o ser humano demora a amadurecer, embora envelheça tão depressa!
Mesmo quando só, não me sinto solitário, pois solidários amigos são usuários deste meu caminho, e por isso eu os encontrarei.
Descobri que sou o responsável principal pela minha condição de feliz ou de infeliz. É que viver a vida assim bonita como ela é, com suas cores e fragrâncias, com seus amores e desamores, com suas tormentas e bonança, com seus dias ensolarados e nublados, ou seja, sentir o vento que sopra enquanto caminho, depende só de mim. Por isso, deixo que minha vida flua sem pedir-lhe nada que não mereça. E não me aborreço quando não ganho.
Assim foi que o texto me fez descobrir que, ao contrário do que dizem, sou exageradamente visível e não vou me esconder. |